Dicionário de Hepatologia

Conheça os termos mais usados na Hepatologia

Janaína Luz Narciso Schiavon
Professor Adjunto de Gastroenterologia da Universidade Federal de Santa Catarina


A

Adefovir: medicação antiviral de uso diário indicada no tratamento da hepatite viral B. É administrada por via oral.

ALT ou TGP: exame laboratorial que avalia se há inflamação no fígado. Em algumas hepatites este exame pode estar normal, e existir inflamação no fígado.

AST ou TGO: exame laboratorial que avalia se há inflamação no fígado. Em algumas hepatites este exame pode estar normal, e existir inflamação no fígado. Pode também estar alterado em alguns casos especiais de anemia (quando há destruição dos glóbulos vermelhos do sangue) e em doenças do coração (como o infarto agudo do miocárdio).

Anemia: diminuição da quantidade de glóbulos vermelhos no sangue. Os glóbulos vermelhos (hemácias) são responsáveis pelo transporte de oxigênio para todas as células do nosso corpo. Quando o indivíduo tem anemia, dependendo da gravidade, ele pode sentir desânimo, fraqueza, sonolência, falta de ar quando caminha, etc.

Ascite: ?água na barriga?. Em indivíduos com doença no fígado, geralmente ocorre como sintoma de cirrose avançada.

Ascite refratária: é aquela que não diminui com o uso de diuréticos (medicamentos que estimulam a diurese (urina)).

Azatioprina: medicamento imunossupressor (que inibe o sistema de defesa do organismo) utilizado no tratamento de doenças autoimunes, como a hepatite autoimune, por exemplo.

B

Biópsia hepática: exame realizado com agulha, sob anestesia local, onde é retirado um pequeno pedaço do fígado, que é analisado por um médico patologista no microscópio. Esse exame é utilizado na investigação diagnóstica, para identificar as causas de algumas doenças do fígado, avaliar a gravidade da doença e definir se é necessário iniciar ou não um tratamento.

C

Cirrose: é a substituição do fígado normal por fibrose (cicatriz), que causa um ?endurecimento? do fígado e dificulta seu funcionamento, o que acarreta na diminuição na produção de proteínas, por exemplo.

Cirrose Biliar Primária: é uma doença autoimune (causada pelo sistema de defesa do organismo) que provoca colestase (acúmulo de bile), inflamação e destruição dos ductos biliares que se localizam dentro do fígado.

Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica (CPRE): exame realizado com duodenoscópio de visão lateral (um aparelho semelhante ao utilizado para endoscopia), que permite visualizar e tratar doenças das vias biliares e o ducto pancreático.

Colangite Esclerosante Primária: é uma doença autoimune (causada pelo sistema de defesa do organismo) que provoca colestase (acúmulo de bile), inflamação e destruição dos ductos biliares que se localizam, principalmente, fora do fígado.

D

Diuréticos: medicamentos utilizados para estimular a diurese (urina).

Doença de Wilson: ocorre em função do acúmulo de cobre no organismo. Pode ocorrer inflamação e cicatrização (fibrose) no fígado.

E

Edema: acúmulo de líquidos conhecido popularmente como inchume ou inchaço.

Encefalopatia hepática: alterações no comportamento de indivíduos cuja função do fígado é insuficiente para eliminar substâncias tóxicas para o sistema nervoso.

Endoscopia Digestiva Alta: exame de endoscopia realizado sob sedação que permite a visualização e tratamento de doenças que acometem o esôfago, o estômago e o duodeno.

Entecavir: medicação antiviral de uso diário indicada no tratamento da hepatite viral B. É administrada por via oral.

Eritropoetina: substância produzida pelos rins e responsável por estimular a produção dos glóbulos vermelhos para combater a anemia. Nos pacientes com hepatite C em tratamento com ribavirina é comum ocorrer anemia, e muitas vezes, é necessário o uso de eritropoitina durante o tratamento.

Esquistossomose: doença que pode prejudicar o fígado quando os ovos do Esquistosoma mansoni se acumulam no fígado causando inflamação e dificultando a chegada de sangue pela principal veia do fígado, a veia porta. Assim, indivíduos com esquistossomose podem apresentar hipertensão portal (aumento de pressão na veia porta) e varizes de esôfago.

Esteatose hepática: presença de infiltração gordurosa no fígado.

Esteatohepatite: infiltração gordurosa no fígado associada à inflamação e destruição de células do fígado.

Esplenomegalia: aumento no tamanho do baço.

H

Hemangiomas: são tumores benignos, que podem ocorrer no fígado ou em outros locais do organismo, que correspondem a malformações de vasos sanguíneos.

Hemocromatose: doença onde o fígado pode apresentar acúmulo de ferro levando a inflamação e cicatrização do mesmo (fibrose).

Hepatite: é toda e qualquer inflamação do fígado. Pode ser causada por vírus de hepatite (como os vírus A, B, C, Delta e E), medicamentos, uso de álcool, etc.

Hepatite autoimune: é a inflamação do fígado causada pelo sistema de defesa do organismo.

Hepatocarcinoma: é um tumor maligno do fígado.

Hepatomegalia: aumento no tamanho do fígado.

Hipertensão Portal: aumento de pressão na veia porta, que é a veia que traz o sangue dos intestinos pra ser ?filtrado? no fígado. Esse aumento de pressão na veia porta pode ocorrer em indivíduos com cirrose no fígado, mas também em outras situações como trombose ou esquistossomose. Como conseqüência desse aumento de pressão, pode ocorrer dilatação (varizes) de algumas veias internas, como no esôfago.

I

Interferon alfa: medicamento utilizado para tratamento de hepatites virais, por injeção subcutânea.

Interferon alfa peguilado: medicamento utilizado para tratamento de hepatites virais, por injeção subcutânea. Pode ser aplicado uma vez por semana.

L

Lamivudina: medicação antiviral de uso diário indicada no tratamento da hepatite viral B. É administrada por via oral.

Ligadura elástica: tipo de tratamento realizado para eliminar as varizes do esôfago. É realizado por endoscopia digestiva alta, sob sedação.

P

Paracentese: exame realizado para coletar líquido ascítico (?água na barriga?) por meio de aspiração com agulha, sob anestesia local. O líquido ascítico pode ser retirado somente para análise laboratorial (para avaliar se há infecção, por exemplo), ou para alívio do paciente, quando a ascite é de grande volume.

Peginterferon: ver interferon alfa peguilado.

Peritonite Bacteriana Espontânea: infecção espontânea do líquido ascítico (?água na barriga?). O diagnóstico é feito por análise do líquido, coletado com agulha e anestesia local (paracentese).

Prurido: coceira. Pode ser um sintoma de doença no fígado.

Q

Quimioembolização: é uma das opções de tratamento paliativo do hepatocarcinoma, realizada por cateterismo da veia femoral, localizada na virilha, sob anestesia local. Esse tratamento diminui o tamanho do tumor.

R

Ribavirina: medicação antiviral de uso diário indicada no tratamento da hepatite viral C. É administrada por via oral.

T

Tenofovir: medicação antiviral de uso diário indicada no tratamento da hepatite viral B. É administrada por via oral.

TGO ou AST: exame laboratorial que avalia se há inflamação no fígado. Em algumas hepatites este exame pode estar normal, e existir inflamação no fígado. Pode também estar alterado em alguns casos especiais de anemia (quando há destruição dos glóbulos vermelhos do sangue) e em doenças do coração (como o infarto agudo do miocárdio).

TGP ou ALT: exame laboratorial que avalia se há inflamação no fígado. Em algumas hepatites este exame pode estar normal, e existir inflamação no fígado.

Transplante Hepático: forma de tratamento em que o paciente recebe um fígado de um doador (vivo ou cadáver). Neste tratamento, o paciente tem que fazer uso de drogas imunossupressoras (medicações que inibem os mecanismos de defesa do indivíduo contra organismos estranhos, neste caso, o fígado de outra pessoa) para evitar a rejeição do novo fígado.

V

Varizes de esôfago: dilatação das veias do esôfago. Em indivíduos com cirrose, as varizes ocorrem como conseqüência do aumento de pressão na veia porta (hipertensão portal).

Veia porta: é a veia que drena o sangue do sistema digestivo para ser ?filtrado? no fígado.